Estruturação e Schemata na música do século XIX : o Quinteto Op. 44 de Robert Schumann e o Trio Op. Posth. de Johannes Brahms
Resumo
Resumo: A utilização das Schemata (GJERDINGEN, 2007) como ferramenta analítica para compreender a música do século XVIII, especialmente aquela denominada Galante, já é aceita, tendo como resultado trabalhos científicos pautados nesta teoria. O modelo de ensinoaprendizagem do século XVIII no contexto dos conservatórios de música utilizava um exercício musical composto por um baixo, cifrado ou não, na qual o aluno faria um improviso guiado a partir de tal baixo, seguindo um conjunto de regras e se adaptando aos diferentes estilos disseminados na época. Tal exercício, chamado Partimento, englobava uma série de Schemata em sua realização. Entretanto, ao tratarmos da música do século XIX, pouco foi abordado acerca da relação das Schemata com as práticas composicionais do Romantismo. Neste trabalho, foi realizada primeiramente uma revisão bibliográfica com intuito de contextualizar a permanência do Partimento no modelo de ensino do século XIX. Levando em consideração o conceito de cânone musical, de William Weber (WEBER, 1989, 1994, 2001), busca-se compreender o porquê das Schemata se manterem presentes no período em questão. Em sequência, é apresentado uma coletânea de exemplos de Schemata em obras românticas em diferentes contextos, tendo como finalidade expor a permanência dessas estruturas em obras pós estilo Galante. Posteriormente, mostra-se a análise de duas obras do Romantismo maduro, a saber, o Quinteto para piano e cordas op. 44 em Mi bemol maior, de Robert Schumann, e o Trio para piano e cordas op. Posth em Lá maior, de Johannes Brahms, tomando como ponto de partida a teoria das Schemata e as regras de baixo cifrado presentes na execução do Partimento. Após o trabalho de pesquisa, observou-se que tais estruturas foram utilizadas em quantidade considerável nas obras analisadas uma vez que esses compositores acataram o passado musical como forma de herança, mantendo o pensamento composicional a partir do baixo em diversos excertos nessas duas músicas. Abstract: The usage of Schemata (GJERDINGEN, 2007) as an analytic tool for understand 18th century music, especially the Galant Style, is already accepted, resulting in scientific papers based on this theory. The teaching-learning method of the 18th century in the context of music conservatories employed a musical exercise composed of a bass, figured or not, in which the student had to do a guided improvisation from such bass, following a set of rules and adapting themselves to different styles disseminated at that era. Such exercise, called Partimento, included a series of Schemata in its realization. However, when dealing with 19th-century music, little has been discussed about the relation between Schemata and the compositional practices of Romanticism. In this work, a bibliographic review was first carried out to contextualize the permanence of the Partimento in the 19th century teaching model. Considering the concept of musical canon, by William Weber (WEBER, 1989, 1994, 2001), this paper seeks to understand why Schemata remained in the period under consideration. In sequence, a collection of examples of Schemata in romantic works in different contexts is presented, with the purpose of exposing the permanence of these structures in works post Galante style. Subsequently, an analysis of two mature Romanticism works is shown, namely, the Quintet for piano and strings op. 44 in E flat major, by Robert Schumann, and the Trio for piano and strings op. Posth in A major, by Johannes Brahms, taking as a starting point the Schemata theory and the figured bass rules present in the playing of Partimento. After the research, it was observed that such structures were used in considerable quantity in the analyzed works, since these composers received the musical past as a form of inheritance, maintaining a compositional thinking based on the bass in several excerpts in these two works.
Collections
- Dissertações [199]